quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Dias Difíceis



Há dias que parecem não ter sido feitos para ti.

Amontoam-se tantas dificuldades, inúmeras frustrações e incontáveis aborrecimentos, que chegas a pensar que conduzes o globo do mundo sobre os ombros dilacerados.

Desde cedo, ao te ergueres do leito, pela manhã, encontras a indisposição moral do companheiro ou da companheira, que te arremessa todos os espinhos que o mau humor conseguiu acumular ao longo da noite.

Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.

Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de
negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.

Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma.
Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.

São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.

Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.

No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.

São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.

Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas,
passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.

Não te olvides de que ouvimos a voz do MESTRE NAZARENO, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...

Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreende que a cada dia basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranquilidade, passando o momento difícil.

Há de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a DEUS por poderes afrontar tantos e difíceis desafios,
mantendo-te firme, mesmo assim.

Nos dias difíceis da tua existências, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.

Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.

Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a terra se encontra engolfada.

Confia na ação e no poder da luz, que o CRISTO representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.
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(Mensagem Psicografada em 30.12.2002 - Raul Teixeira / Camilo)





terça-feira, 1 de setembro de 2015

Seria inútil


É muito frequente a preocupação de muitos religiosos, no sentido de transformarem os amigos compulsoriamente, conclamando-os às suas convicções particularistas. Quase sempre se empenham em longas e fastidiosas discussões, em contínuos jogos de palavras, sem uma realização sadia ou edificante.

O coração sinceramente renovado na fé, entretanto, jamais procede assim.

É indispensável diluir o prurido de superioridade que infesta o sentimento de grande parte dos aprendizes, tão logo se deixam conduzir a novos portos de conhecimento, nas revelações gradativas da sabedoria divina, porque os discutidores das más inclinações se incubem de interceptar-lhes a marcha.

A resposta do cego de nascença aos judeus argutos e inquiridores é padrão ativo para os discípulos sinceros.

Lógico que o seguidor de Jesus não negará em esclarecimento acerca do Mestre, mas se já explicou o assunto, se já tentou beneficiar o irmão mais próximo com os valores que o felicitam, sem atingir o alheio entendimento, para que discutir? Se um homem ouviu a verdade e não a compreendeu, fornece evidentes sinais de paralisia espiritual. Ser-lhe-á inútil, portanto, escutar repetições imediatas, porque ninguém enganará o tempo, e o sábio que desafiasse o ignorante rebaixar-se-ia ao título de insensato.

Não percas, pois, as tuas horas através de elucidações minuciosas e repetidas para quem não as pode entender, antes que lhe sobrevenham no caminho o sol e a chuva, o fogo e a água da experiência.

Tens mil recursos de trabalhar em favor de teu amigo, sem provocá-lo ao teu modo de ser e à tua fé.
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Emmanuel
Chico Xavier 
 

 


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Bem maior



Não subestimes o Bem que podes fazer.

É verdade que o mundo convulsiona sob o peso de mil dores.

Entretanto, ninguém te pede o impossível.

Por certo, não poderás aquietar o estômago de todos que passam fome.

Todavia, podes compartilhar com os irmãos desventurados o pão que tem sobre a mesa.

Evidentemente, não conseguirás devolver a saúde a todos os enfermos da Terra.

Contudo, pode ser a presença amiga ao lado do leito de dores.

Lembra que a Providência Divina socorre o homem por meio do próprio homem.

Assim, não te furtes à prática do Bem que possas fazer porque, perante Deus, o maior Bem é aquele que nasce do verdadeiro amor e da caridade irrestrita.
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Irmã Scheilla

domingo, 30 de agosto de 2015

A escora infalível



Quando estiveres sob o eclipse total da esperança, não te deixes vencer pela sombra. 
Segue adiante, fazendo o bem que possas.
 É possível que pedras e espinhos te firam na estrada, quando estejas tateando na escuridão. 
Conserva, porém, a serenidade e a coragem, porque os agentes contrários à tua marcha são elementos que analisam as conquistas de humildade e paciência.
Sofre, mas serve e segue. 
Se te falharam todos os recursos de proteção do mundo, não te esqueças de que tens contigo a escora infalível de Deus.
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Emmanuel
Chico Xavier





sábado, 29 de agosto de 2015

Vontade



A vontade é a maior de todas as potencialidades da alma.
Sua ação é comparável a de um ímã.
A vontade de viver desenvolve em nós a vida.
Atrai-nos novos recursos vitais.
A vontade de evoluir oportuniza-nos chances de crescimento e de progresso.
O uso persistente e tenaz dessa faculdade soberana permite-nos modificar nossa natureza, vencer todos os obstáculos.
É pela vontade que dirigimos nossos pensamentos para alvos determinados.
Na maior parte dos homens os pensamentos flutuam sem cessar.
Essa mobilidade constante impossibilita a ação eficaz da vontade.
É necessário saber concentrar-se, sintonizando com as esferas superiores e com as nobres aspirações.
A vontade pode agir tanto durante o sono quanto durante a vigília.
Isso porque a alma valorosa que, determinada, busca alcançar um objetivo na vida procura-o com tenacidade em todos os momentos da vida.
Funciona como uma correnteza poderosa e constante que mina devagar e silenciosamente todos os obstáculos que se apresentem.
Se o homem conhecesse a extensão dos recursos que nele germinam, ficaria deslumbrado.
Não mais temeria o futuro, tampouco se julgaria fraco.
Compreenderia sua força e acreditaria na possibilidade de ele próprio alterar seu presente e seu futuro.
O poder da vontade é ilimitado.
O homem consciente de si mesmo e de seus recursos latentes sente crescer suas forças na razão de seus esforços.
Sabe que tudo o que de bem e bom desejar há de, mais cedo ou mais tarde, realizar-se.
É consolador e belo poder dizer:
 "Sou uma inteligência e uma vontade livres.
Edifico lentamente minha individualidade e minha
liberdade.
Conheço a grandeza e a força que existem em mim.
Hei de amparar-me nelas e elevar-me acima de todas as dificuldades.
Vencerei até mesmo o mal que existe em mim.
Hei de me desapegar de tudo que me acorrenta às coisas grosseiras e levantar voo para realidades mais felizes.
Para frente, sempre para frente.
Tenho um guia seguro que é a compreensão das leis da vida.
Aprendi a conhecer-me, a crer em mim e a crer em Deus.
Hei de me conservar firme na vontade inabalável de enobrecer-me e elevar-me.
Atrairei, com o auxílio de minha inteligência, riquezas morais e construirei para mim uma personalidade melhor."

É chegada a hora de despertar do pesado sono que nos envolve.
É necessário rasgar o véu da ignorância que nos prejudica o entendimento.
Cabe-nos aprender a conhecer a nós próprios e as nossas potencialidades.
Compete-nos utilizá-las.
Não nos entreguemos ao desespero.
Não nos julguemos fracos.
Basta-nos querer para sentirmos o despertar de forças até então desconhecidas.
Creiamos em nossos destinos imortais.
Creiamos em Deus.
Lembremo-nos: podemos ser o que efetivamente quisermos.
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Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na terceira parte, item XX, do livro “O problema do ser, do destino e da dor”, de Léon Denis.
 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

PRESERVAÇÃO


Na preservação da segurança comunitária, contra a violência, atendamos à caridade que lhe evite a eclosão.

Onde te requisitem a opinião, sobre determinado assunto, fala para o bem, esquecendo o mal.

Aceita-te como és, com o que sabes e com o que tens, caminhando segundo o limite dos teus próprios passos.

Não clames por recursos maiores, antes que o tempo te amadureça o raciocínio, a fim de que saibas repartir com os outros as facilidades de tuas próprias aquisições.

Guarda a vida simples, de modo a não provocares a inveja destrutiva em determinados companheiros que ainda não possuem suficiente compreensão para te aplaudirem os destaques.

É justo sonhes com mais progresso e conforto, no entanto não procures vantagens, aos saltos, e nem te acomodes com a clandestinidade, capaz de complicar-te os caminhos.

Nas vias públicas, abstém-te de correr no encalço dos primeiros lugares que talvez te comprometam a própria existência.

Responde com serenidade aos que te interpelem sobre qualquer assunto, mantendo, tanto quanto possível, a disponibilidade de quem deseja ser útil.

O mundo vem sofrendo repetidas crises de violência. Sê a paz, onde estejas e por mais desafios recebas à rixas e problemas estéreis, dialoga com respeito e bondade, seguindo adiante, em teu próprio caminho, sustentando, acima de tudo, a consciência tranqüila com a bênção de Deus.
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Emmanuel 
Chico Xavier
 


 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A Viagem Continua


Não admitas que desalento e azedume te anulem a confiança em Deus e em ti mesmo...
Estamos todos num curso de aperfeiçoamento espiritual valendo por viagem difícil para os Cimos da espiritualidade.

Toda subida exige suor.
*
Se já retiraste do vale, no encalço dos montes dedicados ao conhecimento superior, onde se te descerrarão novas luzes segue adiante e não desanimes.
*
Terás talvez perdido certas preciosidades.
Não te impressiones.
Sabes que os Mensageiros da Luz te esperam à frente e não se te faria possível alcançá-los sob o peso de bagagem excessiva.
*
Provavelmente, sofreste o afastamento de amigos.
Não te aflijas.
Seguindo sempre, obterás mais facilmente as condições precisas a fim de auxiliá-los para que se te reinstalem na equipe.
*
Pessoas amadas resolveram descansar, sem necessidade, nas margens da senda, impondo-te o desapontamento da separação temporária.
Não te incomodes.
Todas elas serão compelidas pelas circunstâncias a retomarem o caminho.
Sugestões de imaginária fadiga te empalidecem o ânimo.
Não te deixes abater por impressões negativas.
Trazes contigo o manancial da fé, sobre o qual se te apoia sustentação na jornada.
*
A morte, em vários casos, te haverá furtado a presença alentadora de alguém, cujo carinho te escorava a sensibilidade no dia-a-dia.
Não te interrompas, porém.
Essa criatura se adiantou na estrada, de modo a aguardar-te, com mais riqueza de amor, no Mais Além.
*
Haja o que houver, não te detenhas na subida escabrosa porque a viagem continua, independentemente de nossa própria vontade, e essa viagem é a própria vida que Deus nos concede a cada um para que, gradativamente, nos desfaçamos de qualquer sombra na conquista da luz.
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EMMANUEL
CHICO XAVIER



 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Jesus à Frente



Diante de quaisquer desafios da perseguição façamos um sorriso bom e otimista para a caravana das trevas... e sigamos avante. Disse-nos Jesus:

- Eis que vou, adiante de vós...

O Eterno Amigo vai à nossa frente e aplainará, para nós, como sempre, todos os caminhos.

Basta nos disponhamos a segui-lo, trabalhando...

Não percas tempo em procurar o mal; contudo, emprega atenção em socorrer-lhe as vítimas.

Diante desse ou daquele sucesso amargo, sempre mais do que nós, Jesus sabe...

Conhece o Divino Amigo onde se esconde o verme do vício, como também onde se oculta a farpa da crueldade.

Em razão disso, não te buscaria para relacionar as úlceras alheias nem para conferir os espinhos da estrada.

Se alguém prefere mergulhar na sombra, dize contigo:
 - Jesus sabe.
 
 Se alguém te não escuta a palavra de amor, nota em silêncio: 
-Jesus sabe.

Se alguém surge enganando aos teus olhos, pensa convicto:
- Jesus sabe.

Se alguém foge de cumprir o dever, observa de novo:
 - Jesus sabe.

Faze o bem que puderes e, entregando a justiça à harmonia da Lei, entenderás, por fim, que Jesus nos chamou para fazer luzir a estrela da caridade onde a vida padeça o insulto da escuridão.
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 Meimei 
Chico Xavier  




terça-feira, 25 de agosto de 2015

Consciência e conveniência



As boas soluções nem sempre são as mais fáceis e as manifestações corretas nem sempre as mais agradáveis.

 A trilha do acerto exige muito mais as normas do esforço maior que as saídas circunstanciais ou os atalhos do oportunismo.

 Nos mínimos atos, negócios, resoluções ou empreendimentos que você faça, busque primeiro a substância “post-mortem” de que se reveste, porquanto, sem ela, seu tentame será superficial e sem consequências produtivas para o seu Espírito.

Hoje como ontem, a criatura supõe-se em caminho tedioso tão só quando lhe falta alimento espiritual aos hábitos.

Alegria que dependa das ocorrências do terra-a-terra não tem duração. Alegria real dimana da intimidade do ser.

 Não há espetáculo externo de floração sem base na seiva oculta.

Meditação elevada, culto à prece, leitura superior e conversação edificante constituem adubo precioso nas raízes da vida.

 Ninguém respira sem os recursos da alma. Todos carecemos de espiritualidade para transitar no cotidiano, ainda que a espiritualidade surja para muitos, sob outros nomes, nas ciências psicológicas de hoje que se colocam fora dos conceitos religiosos para a construção de edifícios morais.
*
À vista disso, criar costumes de melhoria interior significa segurança, equilíbrio, saúde e estabilidade à própria existência.
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Debaixo de semelhante orientação, realmente não mais nos será possível manter ambiguidade nas atitudes.
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  Em cada ambiente, a cada hora, para cada um de nós, existe a conduta reta, a visão mais alta, o esforço mais expressivo, a porta mais adequada.
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  Atingido esse nível de entendimento, não mais é lícita para nós a menor iniciativa que imponha distinção indevida ou segregação lamentável, porque a noção de justiça nos regerá o comportamento, apontando-nos o dever para com todos na edificação da harmonia comum.
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  Estabelecidos por nós, em nós mesmos, os limites de consciência e conveniência, aprendemos que felicidade, para ser verdadeira, há de guardar essência eterna.
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  Constrangidos a encontrar a repercussão de nossas obras, além do Plano físico, de que nos servirá qualquer euforia alicerçada na ilusão?
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  De que nos vale o compromisso com as exterioridades humanas, quando essas exterioridades não se fundamentam em nossas obrigações para com o bem dos outros, se a desencarnação não poupa a ninguém?
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  Cogitemos de felicidade, paz e vitória, mas escolhamos a estrada que nos conduza a elas sob a luz das realidades que norteiam a vida do Espírito, de vez que receberemos de retorno, na aduana da morte, todo o material que despachamos com destino aos outros, durante a jornada terrestre.
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  Não basta para nenhum de nós o contentamento de apenas hoje. É preciso saber se estamos pensando, sentindo, falando e agindo para que o nosso regozijo de agora seja também regozijo depois.
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André Luiz
  Waldo Vieira




segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CULTIVO DOS SENTIMENTOS




O espírito não pode ser omisso nos seus deveres morais, para não pactuar com os sentimentos inferiores. Compete a cada alma lutar consigo mesma usando todos os recursos possíveis na conquista do bem e do amor que já residem camuflados no reino do coração.

A criatura desatenta não deixa gravar em si as marcas do Cristo operante. Tem, por vezes, a falsa crença de pureza baseada em ações e fatos exteriores, esquecendo-se do ponto de partida que deve florescer no seu mundo interno e que lhe garante a tranquilidade de consciência.

Os sentimentos puros foram semeados por Deus no nosso mundo íntimo e eles são eternos, esperando o toque sob a regência do tempo, para que possam despertar à luz do progresso. São os nossos sentimentos que marcam o nosso comportamento diante dos outros, na escala à qual pertencemos. As nossas emoções falam de nós, em todos os caminhos que percorremos. Convida-nos o Cristo, por todos os meios disponíveis, ao cultivo dos sentimentos nobres. Perdermos a oportunidade é salientar a nossa ignorância. Todos os nossos semelhantes nos vigiam e observam o mal que fazemos ou o bem que deixamos de fazer, sem que percebamos essa vigilância. E isso torna-se bom para o nosso aperfeiçoamento espiritual, se conseguirmos a humildade bastante para ouvir aqueles que apontam os nossos erros, mesmo que o façam com a intenção de nos ofender. Podemos tirar grande proveito dessas lições, porque o "nada se perde" inclui tudo o que se manifesta em nossos caminhos. Quando soubermos aproveitar todos os acontecimentos em nosso roteiro, estaremos nos iniciando verdadeiramente na senda de uma vida melhor. Isso é adquirir saúde. Isso é curar os nossos desequilíbrios.

Convida-nos o bom senso, aquele que dirige os impulsos do coração e da inteligência, a nunca servirmos de juízes diante das fraquezas alheias, induzindo-nos, porém, a fortalecer o tribunal da própria consciência, para que a justiça dentro de nós se estabeleça, acompanhada de auto domínio e de autoanálise. Juntamente com o tempo que gastamos na observação do comportamento alheio, perdemos os meios de nos educarmos, no que tange às nossas grandes necessidades.

Quem desconhece os seus erros certamente é ignorante, no entanto, quem é consciente das próprias faltas e deficiências e investe contra os desequilíbrios dos semelhantes, transforma-se em carrasco dos faltosos, aumentando ainda mais o seu fardo, com o mal causado pela sua maledicência.

A cura verdadeira depende do nosso comportamento diante da vida. Observai os sentimentos que possuís e vede qual deles está precisando de reparo à luz do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Começai hoje mesmo a estimulá-lo no bem, para que a caridade com Jesus vibre em vosso coração permanentemente.

Grande parte das doenças chamadas "incuráveis" são, na realidade, desarmonia do corpo, ou dos corpos, onde se manifesta a alma. Pode acontecer que uma só pessoa esteja atacada por várias enfermidades ou com enxaqueca permanente por faltar com a observância no campo da sua própria saúde. É, pois, o desleixo na obediência às leis naturais que desregulam a harmonia. Acontece, também, que espíritos de certa elevação, ao reencarnarem, pediram determinadas enfermidades para lhes garantir o equilíbrio diante de algumas fraquezas que ainda sentem nos corações e na alma.

Nós todos estamos em busca de aperfeiçoamento, que se encontra muito distante da nossa atual morada e mais ainda do céu, que deveremos estabelecer no nosso mundo interno. O clima do completista é o da tranquilidade imperturbável na consciência. Não devemos parar de trabalhar em todos os sentidos para o cultivo dos sentimentos, porque eles marcam a nossa vida na vida de Deus e falam de Jesus para os que nos acompanham, se somente manifestarem o amor e a caridade.

Quando entendermos que a cura de nós mesmos está ao alcance das nossas próprias mãos, já estaremos sentindo os primeiros raios de sol da Verdade.
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Miramez
João Nunes Maia 
 



 

domingo, 23 de agosto de 2015

NOTA DA ESPERANÇA



Nas horas de crise, reflitamos na própria libertação espiritual, a fim de seguirmos, em paz, nas trilhas do cotidiano.

Queixas-te, por vezes, de cansaço e tensão, nervosismo e desencanto.

A experiência terrestre, com as mutações de que se caracteriza, através de impactos incessantes, freqüentemente, martela-te o pensamento ou destrambelha-te as forças. Ainda assim, é imperioso te refaças, dissolvendo todas as impressões negativas na fonte do entendimento.

Começa por não te permitires a mínima excursão nos domínios obscuros do pessimismo ou da intolerância.

Observa as ocorrências, por piores que sejam, cooperando em tua área de ação, tanto quanto possível, a benefício de todos os que te cercam e aceita as criaturas como são, sem exigir delas o figurino espiritual em que talhas o teu modo de ser.

A diversidade estabelece a harmonia da natureza.

O cravo e a rosa são flores sem se confundirem.

O Sol e a vela acesa são luzes com funções diferentes.

À vista de semelhantes realidades, nos dias de inquietação, não te irrites contra os outros e nem firas a outrem, de modo algum.

Muitas vezes, a aflição é o sinônimo de nossa própria intemperança mental, à frente de abençoadas lições da vida.

Faze, dessa forma, nas circunstâncias difíceis, o melhor que puderes sem o risco de perder a paz interior que te assegura o equilíbrio.

Sobretudo, saibamos entender para auxiliar.

Se alguém te impõe amargura ou desapontamento, oferece em troca simpatia e colaboração ao invés de vinagre ou reproche.

Se o empreendimento fracassa, reconsideremos o trabalho de novo com mais segurança.

Ajuda e ajudar-te-ão.

Dá e receberas.

Garante a luz e a luz clareará o caminho.

Nada te prenda à perturbação, a fim de que possas te desvencilhar facilmente da treva, de modo a avançar e servir.

Por mais escura que seja a noite, o Sol tornará ao alvorecer. E por mais complicada ou sombria se nos faça a senda de provas, é preciso lembrar que para transpô-la, todos temos, invariavelmente, em nós e por nós, a luz inapagável de Deus.
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Emmanuel
Chico Xavier 


 

sábado, 22 de agosto de 2015

Confidência




Porque me deste tanto amor, nunca pude saber.

Acordei em teus braços, à feição da ave doente, e disseste que eu era um anjo.

No berço, as mãos pequenas não me alcançavam à face, mas enxugavas as minhas lágrimas com os teus beijos.

Se algum detrito me atingisse, afirmavas que eu era uma flor e me banhavas o corpo em suave perfume.

Se eu chorasse, transformavas a voz em melodia, para que as tuas canções me embalassem o repouso.

Quando despontei na infância, destruindo-te os vasos ou rasgando-te as relíquias, ao invés de corrigir-me, proclamavas a minha independência.

Nos dias da juventude, ao ferir-te com o meu desmazelo e ingratidão, escondias a chaga e me apontavas como sendo a criatura melhor da Terra.

Nas horas de crise, se me convidavas à oração, atirava-te um gesto desdenhoso que recebias sorrindo.

Deste-me a vida e coloquei-te no centro da aflição.

Amaste-me muito mais que a ti mesma e te fitei com indiferença, quando te troquei pelo mundo vasto.

Mãe querida, volto hoje a ver-te.

Cura minhas chagas com a tua bênção.

Compadece-te de mim que não encontrei com as ciências dos homens nenhuma riqueza que possa ser comparada aos tesouros de teu amor.

Abraça-me.

Deixa que o teu coração pulse junto do meu para que me sinta novamente criança.

E se te posso pedir algo mais, ensina-me outra vez a pronunciar o nome de Deus. 
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Meimei   
Chico Xavier


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A virtude da disciplina



Certas palavras e expressões às vezes têm seu sentido deturpado ou reduzido.

Assim ocorre com a disciplina, frequentemente entendida como submissão a um agente externo.

O termo remeteria à ação que sujeita a vontade de outrem.

Por exemplo, o pai que disciplina seu filho ou o comandante que conduz suas tropas sob um regime disciplinar severo.

Embora a disciplina sob o aspecto exterior seja necessária, ela a tal não se circunscreve.

Na realidade, é sob o prisma interno que a disciplina revela seu mais rico potencial.

Trata-se de uma virtude que viabiliza a aquisição de todas as outras.

Sem disciplina, não há avanço e transformação moral e intelectual.

A criatura indisciplinada permanece como sempre foi.

Seus vícios e debilidades não encontram firme oposição e os mesmos erros são incessantemente repetidos.
 
A disciplina atua no plano da vontade.

Ela estabelece regras e define como deve ser o comportamento futuro.

O homem disciplinado diz a si mesmo que deve fazer e se mantém firme no propósito.

Mesmo contra seus interesses e tendências naturais, segue o programa de melhoramento que se impôs como meta.

A disciplina consiste em uma força interior que permite a alteração de velhos hábitos.

Não se trata apenas de decidir ser melhor, mas de colocar em prática o que se decidiu.

Certamente há vacilos, mas logo o homem disciplinado retoma seu projeto inicial.

Ele não se permite desistir, quando percebe a viabilidade da meta que elegeu para si.

Todos os Espíritos, atualmente vinculados à Terra, já passaram por incontáveis encarnações.

No longo processo de aprendizado, cometeram muitos equívocos e desenvolveram maus hábitos.

Certas tendências do pretérito remoto ainda hoje se fazem presentes nos homens.

Nos primórdios da evolução, o Espírito era despido de cogitações intelectuais e morais mais complexas.

As preocupações do ser resumiam-se à preservação da vida e à perpetuação da espécie.

O tempo não gasto com a satisfação dessas necessidades era dedicado ao ócio.

Assim, o gosto excessivo pelo descanso lembra as fases primitivas da existência imortal.

O mesmo ocorre com a preocupação desmedida com alimentação e sexo.

Nada há de errado com a satisfação das necessidades elementares da vida, em um contexto de dignidade.

O vício reside no excesso e na fixação do pensamento em atividades que são meramente instrumentais.

A destinação do Espírito humano é excelsa.

Compete-lhe vencer a si mesmo, libertar-se de hábitos primários e preparar-se para experiências transcendentais do intelecto e do sentimento.

Ocorre que isso somente é possível com muita disciplina.

Sem uma vontade firme aplicada na correção do próprio comportamento, ninguém avança.

Maus hábitos, como maledicência, gula, preguiça e leviandade sexual, não somem por si sós.

Eles devem ser corajosamente enfrentados e subjugados.

O abandono de vícios é lento e doloroso.

No princípio, o esforço necessário é hercúleo.

Mas gradualmente se percebe o peso que representam as más tendências.

Surge uma sensação de liberdade e de leveza, com a adoção de um padrão digno de comportamento.

Então, o que era difícil se torna fácil e prazeroso, pois a disciplina gera a espontaneidade.

Pense nisso.
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 Momento Espírita